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Da humanização às lagrimas: Dra. Filó fala sobre a conversa nas horas difíceis

 

A pediatra Filomena Camilo do Vale nasceu em Oliveira, interior de Minas Gerais, onde permaneceu até terminar o segundo grau. Sua mudança para a capital do estado se deu quando a então menina iniciou seus estudos na Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Apesar das várias possibilidades dentro da medicina, Dra. Filó, como é tratada carinhosamente pelos colegas e pacientes, nunca teve dúvidas sobre sua vocação: ser pediatra.
Hoje, além de se dedicar às crianças internadas no CTI da Santa Casa de Belo Horizonte pela manhã e aos seus pacientes de consultório à tarde, Dra. Filó propaga suas ideias e experiências pelos congressos médicos em Belo Horizonte e no Brasil. Na Expo-Hospital Brasil, rodeada por inúmeros fãs (é isso mesmo, Dra. Filó é tratada com status de pop-star!), ela falou sobre A Arte da comunicação quando o inesperado acontece, arrancando lágrimas da plateia.

A senhora é uma médica pediatra conhecida pelo carinho e respeito que tem com os pacientes e familiares, tanto no consultório, quanto na UTI Pediátrica da Santa Casa de Belo Horizonte. Sua vida profissional e pessoal é marcada pelo trato humanizado que tem com seus pacientes e com as pessoas que convivem com a senhora. Nesse sentido, qual a importância de se falar sobre “A comunicação quando o inesperado acontece” em um evento como a Expo-Hospital Brasil?
Foi uma surpresa o assunto em um evento como este, mas ao mesmo tempo eu fico feliz desse tipo de público se abrir para isso, pois precisamos melhorar a nossa comunicação. Dar uma notícia difícil, dar uma má notícia é um desafio para todo mundo e isso é um aprendizado. Nós temos que aprender a conversar. Porque o bom médico, o médico que dá a alta, o médico que teoricamente resolve o problema da pessoa, esse ele não tem dificuldade. Dar alta é muito fácil, tirar a pessoa do hospital é muito fácil. Mas a habilidade, conseguir conversar com o doente, ajuda-lo, quando a situação não está dentro do esperado, realmente é um desafio para todos nós, precisa ser aprendido.

Como preparar parentes para receber uma notícia negativa relacionada a pacientes terminais ou aqueles que podem ficar com sequelas graves?
Na verdade, não existe um preparo. Como preparar um paciente para uma notícia ruim? Uma notícia ruim é uma notícia ruim. Aquilo que vai mudar a sua vida a partir daquele momento para frente – esta é a definição de notícia ruim. A questão é que precisamos de algumas coisas: primeiro você precisa de um ambiente privado, a pessoa tem que receber a notícia sentada, você tem que ter disponibilidade, você tem que ser verdadeiro, você tem que mostrar segurança, confiança, não pode dar falsa esperança, tem que mostrar uma clareza de conhecimentos, mas com compromisso com aquilo tudo que está sendo falado. A notícia tem que ser verdadeira, tem que ser clara, mas estar dentro da compreensão da pessoa. Em geral, para a pessoa captar o que estamos falando gastamos quatro conversas, é quando elas percebem o que dizemos. Não é fácil, o impacto é muito grande! O médico tem que conhecer tudo daquele paciente, ele não pode falar eu acho. A gente não acha, a gente sabe ou não sabe.

Podemos dizer que essa conversa com os parentes faz parte de um modelo maior implantado no Brasil desde 2003, quando se criou no Brasil a Política Nacional de Humanização da Saúde (PNH) no SUS?
Desde que a medicina é medicina você tem que conversar com seu paciente. Se a pessoa procura um médico, deve se estabelecer uma relação de confiança. O paciente vai dizer que tem uma queixa, o médico fala da doença e indica um tratamento. Se o tratamento não é o esperado, nós temos que abordar o paciente: “olha você está evoluindo desta forma e deveria evoluir de outro jeito”. Então, essas conversas sempre têm que existir quando tiver uma mudança no curso da doença. Isso não é por causa de um modelo, isso é o mínimo de humanidade.

Existem grandes diferenças entre a humanização da saúde e esse tipo de diálogo no setor público e no setor privado?
Eu trabalho no setor público, na Santa Casa. E esse é o sistema que nós temos. Eu sou médica diarista no CTI. Na parte da manhã somos duas diaristas e de tarde, mais duas, uma para cada dez leitos. A gente conversa com os pais todos os dias. Então, esse sistema já é nosso há muito tempo, pelo menos no CTI. E eu não vejo muita diferença com relação ao hospital privado. Porque essa conversa com os pais deve acontecer inclusive no final de semana e feriado, não funcionamos no fluxo do calendário habitual, temos que estar com os pais e temos um compromisso com o paciente.

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