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Quimioterapia de urgência indicada apenas para tumores altamente responsivos

Quando a quimioterapia é feita de maneira não programada em pacientes graves, ela é definida como quimioterapia de urgência. No passado, essa medida era considerada fútil, no entanto, hoje em dia, a prática pode ser pertinente em casos específicos.

 

Em um estudo observacional realizado com pacientes admitidos em uma unidade de terapia intensiva (UTI) de um hospital oncológico de São Paulo e publicado em abril no Journal of Intensive Care Medicine, a quimioterapia de urgência foi associada a maior mortalidade em pacientes com tumor sólido, mas não entre aqueles com câncer hematológico.

 

Para o Dr. Pedro Caruso, médico pneumologista do A. C. Camargo Cancer Center e do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), e um dos autores da pesquisa, os achados indicam que apenas pacientes graves internados na UTI por alguma complicação decorrente da neoplasia e com um tumor altamente responsivo à quimioterapia são candidatos à quimioterapia de urgência.

 

Conforme Dr. Caruso, durante a análise retrospectiva, os autores identificaram 47 pacientes graves admitidos na UTI que receberam quimioterapia de urgência. Utilizando um método estatístico denominado escore de propensão, o grupo fez um pareamento, selecionando 94 pacientes que também haviam sido admitidos na UTI em estado grave, mas que não receberam quimioterapia de urgência. Todos os participantes foram hospitalizados em função de complicação que colocava suas vidas em risco, sendo que a principal razão para a quimioterapia de urgência foi lesão pulmonar aguda.

 

“Para que pudéssemos fazer a comparação entre os que foram submetidos à quimioterapia de urgência e os que não receberam essa terapia, precisávamos que os pacientes de ambos os grupos fossem muito similares, portanto, a partir do pareamento, foram selecionados sujeitos que apresentavam a mesma identidade do estado clínico na admissão na UTI, com as mesmas variáveis demográficas (idade e gênero), o mesmo tipo e localização do tumor, o mesmo status de metástase, gravidade da doença aguda, necessidade de suporte avançado da vida e ventilação mecânica”, explicou o Dr. Pedro. Ele afirmou que, ao todo, foram usadas 10 variáveis para fazer o pareamento dos participantes.

 

Uma diferença identificada entre os grupos diz respeito à história de quimioterapia anterior à admissão na UTI: os pacientes no grupo de quimioterapia de urgência foram menos submetidos a tratamento quimioterápico ao longo da evolução da doença oncológica. Para o Dr. Pedro, é possível que exista uma predisposição dos oncologistas a prescreverem quimioterapia de urgência caso o paciente grave nunca tenha recebido quimioterapia antes.

 

“É algo intuitivo, quando o paciente já recebeu vários tratamentos e mesmo assim acabou piorando, sendo admitido na UTI, o médico se sente menos inclinado a fazer quimioterapia do que caso o paciente nunca tenha recebido quimioterapia. Há uma tendência de que o paciente que nunca foi tratado seja tratado mesmo que ele esteja em uma situação de exceção”, ponderou.

 

A análise dos dados mostrou ainda que, durante a permanência na UTI, os pacientes que receberam quimioterapia de urgência foram mais propensos a receber ventilação mecânica e a desenvolver lesão renal aguda. Além disso, entre os participantes com tumores sólidos, a mortalidade na UTI, no hospital e em um ano foi maior entre os que receberam quimioterapia de urgência, mas, não no subgrupo com tumores hematológicos.

 

O Dr. Pedro afirmou que há poucos estudos na literatura sobre quimioterapia de urgência em pacientes graves, e essa carência foi justamente o que motivou a pesquisa do grupo do A. C. Camargo Cancer Center. Apesar disso, os dados existentes já indicavam que poucos pacientes poderiam se beneficiar desse tipo de tratamento, mas aqueles com tumores hematológicos poderiam fazer parte dessa exceção.

 

“A explicação fisiopatológica para esse resultado é que os tumores hematológicos são muito responsivos à quimioterapia, então, mesmo em uma situação heroica, a terapia tem chance de funcionar. Já em pacientes com tumor sólido, que são menos responsivos à quimioterapia, temos só os efeitos colaterais da quimioterapia, sem nenhum benefício”, disse. O aumento da mortalidade entre pacientes com tumor sólido estaria associado então aos efeitos colaterais da quimioterapia relacionados com mioelossupressão, nefrotoxicidade, pneumonite intersticial, cardiotoxicidade, entre outros.

 

Segundo o Dr. Pedro, os dados corroboram que somente pacientes internados na UTI devido a uma complicação diretamente associada ao câncer que tiverem um tumor altamente responsivo à quimioterapia devem ser candidatos ao tratamento de urgência. “Se o paciente estiver na UTI por outra razão que não o tumor – mesmo com neoplasia avançada e um tumor pouco ou parcialmente responsivo à quimioterapia –, ele não será candidato ao procedimento”, alertou.

 

Texto por Teresa Santos (colaborou Dra. Ilana Polistchuck)

Fonte: Medscape

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